Sonia Consiglio: a autora de “Mulheres em Conselhos”

A jornalista explica o porquê de acreditar que ampliar a diversidade nos conselhos é uma jornada contínua

Sonia Consiglio é comunicadora e jornalista com mais de 20 anos de carreira. Também é conselheira de Administração, especialista em Sustentabilidade, palestrante e professora. “Minha jornada me levou à área de sustentabilidade, começando na Fundação BankBoston e pioneira na criação da área de sustentabilidade no Itaú. Depois, estabeleci a área de sustentabilidade na Bolsa (BM&FBovespa). Atualmente, atuo em projetos pro bono, compartilho conhecimento em palestras e mentoria a empresas em sustentabilidade. Também sou ativa nas redes sociais como “sustentabilidadebyme”. Comprometida em deixar um mundo melhor para todas as crianças do planeta”, declara.

Em meio aos seus diversos afazeres conversou conosco com exclusividade, dividindo conselhos e dividindo seu conhecimento.

 

Você teve uma trajetória profissional impressionante, começando no jornalismo e passando por grandes instituições financeiras. Como foi a sua evolução de atuar na área de comunicação e, hoje, participar de Conselhos tão importantes?

Comecei no jornalismo, explorando várias facetas da comunicação, de rádio a revistas. Pioneira na locução da Alpha FM e Antena 1, depois atuei em agências de comunicação e revistas da Editora Abril. Após uma pós-graduação em comunicação empresarial, dediquei a maior parte da minha carreira ao BankBoston e à Bolsa brasileira, liderando comunicação e sustentabilidade. Em 2020, migrei para conselhos e comitês de sustentabilidade e ESG. Acredito na consistência, valor, coerência e ética como guias em minha jornada, superando desafios e incertezas.

 

Como você enxerga a evolução dos conceitos de sustentabilidade e ESG ao longo dos anos, desde quando esses termos não tinham tanta evidência? Quais foram as principais mudanças que você testemunhou?

 

Nos últimos anos, testemunhamos uma evolução notável nos conceitos de sustentabilidade e ESG. Dois fatores cruciais impulsionaram essa mudança: o crescente interesse dos investidores e o impacto da pandemia. Investidores agora reconhecem que questões ESG são vitais tanto em termos de valor, quanto de riscos. A pandemia destacou a interconexão entre questões de saúde, social, ambiental e econômica, levando a uma mudança de paradigma no mercado. Outros fatores incluem líderes empresariais adotando a agenda ESG, regulamentações mais rigorosas e oportunidades de mercado, como o comércio de carbono. Essa evolução representa uma transformação global irreversível, com implicações profundas em empregos, mentalidade do consumidor e diversidade.

Qual é a importância do papel dos Conselhos no impulsionamento das iniciativas de ESG nas empresas? Como você lidera isso nos Conselhos que faz parte?

 

Os conselhos desempenham um papel central na governança das empresas, e sua adesão às diretrizes ESG é fundamental. Após a pandemia, a empatia e o envolvimento dos conselhos com stakeholders ganharam destaque. Os líderes desempenham um papel crucial ao ajudar os conselhos a compreender as questões ESG. A comunicação eficaz e o “letramento” são essenciais para alinhar os conselhos a essas preocupações. Como conselheira, meu trabalho é conscientizar, educar e alinhar os conselhos com as questões ESG, focando na comunicação, gestão de reputação e construção de narrativas para abordar eficazmente essas questões.

 

Você é reconhecida pelo Pacto Global da ONU como SDG Pioneer, uma profissional referência na promoção dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Como você acredita que as empresas podem contribuir efetivamente para alcançar esses objetivos?

 

Em 2016, fui reconhecida como a primeira mulher SDG Pioneer pela ONU, um marco importante. Empresas devem incorporar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em seu planejamento estratégico para torná-los uma ação concreta, conectando-se ao Pacto Global da ONU ou Rede Brasil do Pacto Global para impulsionar o impacto dos ODS em suas operações e estratégias. Essa abordagem fortalece as empresas e contribui para um mundo mais sustentável e equitativo.


No seu livro “Mulheres em Conselhos”, você destaca a presença de mulheres em cargos de liderança. Na sua opinião, o que falta para ampliarmos ainda mais a diversidade nos Conselhos?

 
Ampliar a diversidade nos conselhos é uma jornada contínua. O debate atual é uma conquista significativa. A pressão de acionistas e stakeholders, regras como o Anexo SG da B3 e regulamentações, junto com ativismo, educação e visibilidade, contribuirão para avançar na diversidade dos conselhos. Perseverança é essencial.

 

Como você vê o futuro das práticas de ESG no Brasil? Quais tendências e inovações podemos esperar na área nos próximos anos?

 

O Brasil está ativamente envolvido nas práticas ESG, buscando inovação, com foco na transição para uma economia de baixo carbono e na adoção de tecnologias sustentáveis. A biodiversidade e soluções baseadas na natureza desempenharão papéis-chave. Direitos humanos e questões sociais ganharão destaque, enquanto desafios climáticos e humanos continuarão a surgir. A visão de um mundo com uma economia de baixo carbono, respeitando pessoas, meio ambiente e ética, permanece constante, orientando a jornada apesar das adaptações necessárias.


Por fim, qual é a mensagem que você gostaria de deixar para os leitores da Revista Info Mente? Eu adoraria que você compartilhasse dicas para Mulheres que querem fazer parte de Conselhos mas ainda não se sentem preparadas. 

 

Para mulheres considerando papéis em conselhos ou liderança:

 

1. A síndrome da impostora é normal, a preparação ocorre no desafio.

2. Acredite em si mesma e no valor que pode trazer.

3. Busque formação em governança.

4. Mapeie oportunidades alinhadas com seus interesses.

5. Veja o processo de ingressar em conselhos como um “namoro”.

6. Esteja presente e comprometida como conselheira.

7. Siga sua verdade e contribua para um mundo melhor.