O Poder de uma História

A líder executiva acredita que não há topo para o desenvolvimento do trabalho em Marketing e Comunicação: “o céu é o limite” 

Suzana Pamplona Miranda está à frente da área de Pesquisa e Conhecimento da Globo. Ao longo de seus mais de 25 anos de trajetória profissional, a executiva acumulou experiência em inteligência de dados e pesquisas de mercado e de opinião pública em institutos especializados, além de liderar áreas de Inteligência e Insights para Estratégias de Marketing, Comunicação e Mídia, em empresas como Nestlé, Unilever, Johnson&Johnson e Natura. Em meio à rotina mais que atribulada, ela nos concedeu uma entrevista exclusiva.

Que lição de vida você daria para alguém que te admira ou se espelha em você? 

Será que tem isso de “lição de vida”? Confesso que não me ocorre algo tão emblemático para compartilhar. Eu diria que estou atenta a qualquer oportunidade de aprendizado que me é oferecida, pois acredito que ela se dá todos os dias, e muitas vezes nas questões mais prosaicas, nas conversas mais fortuitas, com tanta gente interessante presente no meu do dia a dia. Assim, a minha vivência se dá pela busca de um aprendizado continuo, que me permita um eterno aprimoramento, que possa me fazer um melhor ser humano, mais conscientes das minhas capacidades e limitações. E talvez essa seja a lição: estar atenta, observar, aproveitar cada momento, porque a vida acontece todos os dias, não em grandes eventos. Parece até um obvio ululante, mas que corremos o risco de esquecer, quando nos deixamos tragar pela tal correria e só nos preparamos para o que consideramos que será “grandioso”, sem observar o que é realmente importante para a vida. 

Você se imaginou chegando no patamar que está em sua carreira? 

Não. Até porque também não me parece que haja uma posição determinada ou topo de qualquer lugar. Muito menos como algo fixo, pré-determinado, estático. Posição a gente faz e, ainda assim, podemos reinventa-la. Creio, firmemente, que o mais importante é que eu me sinta feliz, realizada, produtiva, podendo colocar minhas habilidades e competências a serviço de algo que eu acredite, ao mesmo tempo que eu aprenda algo, continue me desenvolvendo e tenha prazer, me entusiasme com o que faça. Essa é a minha busca, pelo menos. Uma das perguntas que as vezes me fazem e sempre me parece sem sentido é: “onde você se imagina (ou planeja estar) daqui a X anos?” O primeiro pensamento que vem à cabeça é: feliz! 

O que fez diferença em questão de valores que aprendeu na infância por exemplo, que aplica até hoje inclusive no mundo corporativo? 

Tantas questões! Devo imensamente aos meus pais. É a maior gratidão que tenho na vida. Penso em tantos exemplos! Primeiro, pelo comportamento deles em si, que seria impossível contar num curto espaço. Depois, alguns valores que eram falados e ensinados formalmente, e aí me vem imediatamente algumas frases que ficam ressonando na cabeça… por exemplo:

– “Não minta. Nunca! Mesmo que você tenha errado, se você falar a verdade, nós estaremos ao seu lado. Se você mentir pra gente, não vamos poder te ajudar.”

– “Não atrase. Atrasar é egoísmo. Quem você pensa que é para deixar alguém esperando? Respeite o outro que está lá esperando por você.

Finalmente, e provavelmente o mais importante:

o amor.  Tive pais que me amaram e cuidaram de mim, no sentido mais pleno e profundo. Me deram a certeza de ser amada, por eu ser quem era, jeito que eu era. E que estavam sempre me “olhando” e que eu sempre teria aonde voltar, caso algo desse “errado”. Acredito que, por tudo isso, me tornei uma adulta integralmente saudável, autoconfiante e feliz, capaz de amar e ser amada também.

O que você pode apresentar sobre inovação para 2022?

Ainda não posso falar muito. Comecei um novo desafio recentemente e tem sido um mundo de descobertas inspiradoras para mim. Estou cheia de entusiasmo nessa nova jornada e tudo que tenho encontrado. Posso contar logo mais adiante.

Que legado você quer deixar?

Quando eu era criança, eu costumava dizer que queria ser professora. Não me tornei uma, mas creio que sigo no mesmo propósito, que é o de contribuir para desvelar conhecimentos e apontar caminhos, de forma que cada um possa expandir pensamento crítico e criatividade. Assim, espero poder contribuir para gerar um ciclo virtuoso de decisões corajosas, orientadas por dados e evidencias, que causem impacto positivo e criação de valor a todos os envolvidos, com as próprias pessoas realizando seu melhor potencial.