Dr. Enrique Lora: “A medicina nunca precisou tanto de um olhar voltado para a causa”

“A medicina nunca precisou tanto de um olhar voltado para a causa raiz das doenças”

Médico integrativo ressalta importância de se enxergar o paciente como único, ao colher dados e questionar hábitos para gerar consciência

Por Priscilla Silvestre e Renata Rode

Fotos Torin Zanette

 

Hoje, só existe tratamento sustentável das principais doenças se houver foco na raiz do problema, com manutenção e mudança do bem-estar. A cada dia, a medicina integrativa cresce e comprova, através de resultados, que é possível não só promover a qualidade de vida, como também, mudar a vida das pessoas. “Trato o corpo, cuido de almas e transformo mentes”. Essa frase resume o trabalho incansável do Dr. Enrique Lora. E não poderia ser diferente, já que o doutor faz parte de uma família especialista em cuidar dos outros. “Cresci vendo o meu pai cuidar das pessoas e pude sentir o prazer em exercer a medicina de maneira única, já que ele por muitos anos atuou na área como obstetra. Eu e meu irmão não tivemos chance de seguir outra carreira já que o chefe da família sempre foi e é um apaixonado por curar e mudar a vida das pessoas”, conta o médico.  

Quem vê a imagem do médico que respira modernidade não imagina a bagagem que ele apresenta em sua história. Aos xx anos, o marido da Andressa e pai novo e de primeira viagem da linda Helena soube o que era estruturar, trabalhar e atender na área de saúde. Engana-se quem acha que por ter um professor em casa, a vida lhe foi fácil. Muito pelo contrário, segundo ele, a cobrança de ser como o mestre é ainda maior e massacra às vezes, mas faz parte do jogo.

Uma de suas últimas conquistas (além da paternidade) foi a mudança de endereço da clínica, que agora se encontra em uma das ruas mais famosas de São Paulo, a Gabriel Monteiro da Silva, tornando o sonho realidade para Lora, que sempre idealizou um espaço maior e funcional. “São …… metros divididos em ambientes que contemplam além das consultas minha e do meu time de especialistas, ainda soroterapia, tratamentos estéticos, dermatológicos e nutricionais de primeira linha, focando sempre o zelo com meus pacientes”, revela.

 

A importância da conexão

O organismo está muito mais conectado do que imaginamos, por isso, as causas das doenças são sempre mais profundas. De acordo com Lora, o olhar integrativo coloca o paciente no centro da atenção ao invés de colocar sempre a doença como destaque. “A medicina do estilo de vida sempre nos trouxe resultados excelentes, a questão é que faltavam médicos olhando mais para esse lado”, opina. E ainda acrescenta: “É preciso derrubar alguns pensamentos antigos sobre reposição hormonal e outras polêmicas, por exemplo. Eu e inúmeras pesquisas afirmam que somos seres mais hormonais que racionais. Podemos citar vários benefícios da reposição hormonal como a melhora na memória, a diminuição no risco de osteoporose, a diminuição do risco de depressão, a qualidade do sono e muitos outros. É fato que os índices de hormônios podem controlar nossas vidas, inclusive nossas atividades profissionais e não somente as pessoais, para o bem ou para o mal”, ensina.

Praticar a medicina de maneira humanizada é um dos pilares do especialista, já que ele defende que exames e queixas podem levar a um diagnóstico, mas é preciso ir além: ao questionar o paciente sobre hábitos, comportamentos e rotina, é possível ter um dossiê de possíveis causas para os sintomas apresentados mas, mais do que índices ou números, laudos ou receitas, é praticamente revelada a raiz dos problemas, aumentando a chance de resolução dos incômodos de forma muito mais segura e eficaz. “Podemos dizer que o médico integrativo hoje exerce a função do médico de família de antigamente, sabe? Porque vê o paciente em trezentos e sessenta graus, sem deixar quase nada passar despercebido”, fala.

 

Soroterapia para todos

Um cenário cada vez mais comum nos consultórios aponta pacientes exaustos tanto física quanto emocionalmente, já que o círculo vicioso de cobranças em meio à rotina é cada vez mais assustador. “Parece que é normal sentir fadiga quando não é. Não podemos romantizar isso porque o corpo é uma máquina mais que perfeita que nos dá sinais quando algo não vai bem. O cansaço não está só relacionado ao excesso de atividades: é importante saber se a indisposição vai além de causas cotidianas, pois muitas vezes trata-se de uma questão física. A falta de vitaminas pode deixar o corpo com exaustão e é necessário observar o sintoma, não apenas mental, mas biológico também”, salienta o médico que é defensor da soroterapia, que é a reposição de vitaminas, minerais e aminoácidos diretamente na veia. 

Em seu Instagram profissional, o médico fez uma pesquisa informal com seus seguidores e descobriu que 67% deles sentem cansaço na maior parte do tempo. “Segundo esse levantamento, percebo que o cansaço afeta 52% do trabalho de meus seguidores. É um número alto, pois a fadiga deixa as pessoas improdutivas e diminui a qualidade das suas atividades. Além disso, 86% contaram que a indisposição afeta o tempo com a família. Ou seja, esse sistema transforma a vida do ser humano”. O médico explica que muita gente sente cansaço diário, mas não busca ajuda para melhorar a sua qualidade de vida e conclui que sentir-se constantemente com fadiga não é algo normal. “Precisamos observar qual o princípio para o cansaço e tratá-lo a fim de melhorar nossa qualidade de vida. As perguntas a serem feitas são: De onde vem esse cansaço? Será a forma que durmo? A minha alimentação? Será falta de vitaminas e minerais? Quando realizo esse diagnóstico em clínica e prescrevo a soroterapia colho verdadeiramente o resultado de forma direta com meus pacientes, em pouco tempo de aplicação”.

 

 

Trajetória que virou propósito

Conhecido por exercer a Medicina Integrativa de excelência, o médico Dr. Enrique Lora tem uma trajetória que vai além, afinal, seu propósito é transformar vidas. Tudo começou ao ingressar na especialização de Radiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (INCOR). Posteriormente, o doutor investiu na Nutrologia, onde foi especializado pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia). “Há anos exerço o atendimento de medicina integrativa e essa abordagem faz diferença sim na qualidade de vida de qualquer um. Aprendi com cursos, vivências inclusive no exterior e claro, em consultório que é preciso analisar o paciente como um todo, o questionando sobre o funcionamento do intestino, a qualidade do sono e a rotina individual de comportamento de cada um, levando em conta sua profissão, hábitos e condutas”, relata.

Seu pai, também médico, é o grande responsável por parte das suas escolhas profissionais, inclusive e claro, a conduta de sempre dar 110% em tudo o que faz. “Desde que eu me conheço por gente, eu sempre tive uma visão de pais extremamente trabalhadores. Juntamente com isso, sempre vem também um pouquinho do sentimento de abandono porque quando somos crianças não entendemos muito bem o porquê do nosso pai ou mãe estarem ausentes. Eu me lembro muito bem: eu ficava deitado na minha cama em uma posição que me deixava virado para a porta e só dormia tranquilamente depois de ver a sombra do meu pai passando por debaixo da porta, sabendo que ele havia chegado em casa. Então, eu sabia que poderia descansar. Meu pai é ginecologista e obstetra, ou seja, era bastante comum ter partos no período noturno”, desabafa.

O médico lembra que entre os 6 e 7 anos de idade veio a separação dos pais e o que isso acarretou em sua vida. “Hoje, como pai e médico que observa todos os traços de traumas que uma criança carrega, eu consigo dizer com todas as letras que a figura masculina é tão importante quanto a figura feminina na criação e no desenvolvimento. E uma das principais coisas que a figura masculina traz é a segurança. Enquanto a minha mãe me trouxe milhares de qualidades e moldes com relação a valores, me fez aprender e exercitar a empatia e o cuidado com o outro, o pai traz segurança e firmeza”, fala.

Segundo ele, a grande chave da mudança veio de dentro após investir em autoconhecimento e terapia. Mesmo também exercendo a Medicina, o Dr. Enrique Lora coloca em prática o que acredita em sua vida e para seus pacientes. “Hoje eu consigo enxergar que eu que tenho a responsabilidade de ter equilíbrio entre o trabalho e ser o mais presente possível em minha família e como pai. Por mais que no meu trabalho eu prescreva uma vitamina aqui, um suplemento ali, a melhor reposição que pode ser feita na vida de uma criança é a presença de afeto, de carinho, de amor”.

 

Autoafirmação para ser suficiente

O fato de ter sido influenciado na escolha da carreira quase que totalmente pelo pai não fez de Lora um profissional infeliz, muito pelo contrário. “Eu fui obrigado a escolher Medicina, isso porque eu tive um pai com a cabeça conservadora que queria um futuro promissor para o filho. Ele me disse algumas vezes que eu tinha que escolher entre as três profissões que fariam que eu não passasse necessidade: Engenharia, Advocacia ou a Medicina. Hoje sei que cuidar das pessoas é meu propósito, provocar transformações de vida é meu exercício diário e a família é meu alicerce”.

Morar no exterior foi um sonho concretizado durante um tempo e que deixou lições. “O tempo foi passando na escola, cheguei ao terceiro colegial e depois fui para intercâmbio e existia a possibilidade de eu ficar por lá. Mas fazendo o quê? Medicina. O Canadá é um lugar maravilhoso, quem conhece sabe que é um lugar onde se tem mais tranquilidade, ficamos menos sujeitos a certas situações difíceis que passamos aqui no Brasil. Há bastante trabalho e você tem uma qualidade de vida ímpar, mas eu preferi retornar para estar perto dos meus pais… Isso me impossibilitou de ficar no Canadá, por mais que eu quisesse e amasse aquele país, que até hoje eu amo”, lembra.

Em solo brasileiro, Lora iniciou a especialização em Radiologia no INCOR (Instituto do Coração), em um dos melhores hospitais do Brasil. Com comprometimento e responsabilidade, ele sabia que ali estava próximo aos melhores do país e seguiu trabalhando. “O mesmo tino para negócios já começou logo cedo para a Radiologia, onde comecei a atender e vi a possibilidade de colocar os meus superiores para trabalharem comigo em um serviço que eu tinha recentemente criado. Ali eu já mostrava que a veia empreendedora pulsava e nunca mais parou”. Dentre as pós-graduações finalizadas e em andamento estão em Hormonologia e Longevidade, Medicina Esportiva, Medicina Integrativa, Auditoria Médica e sua atualização mais recente foi a Mind Body, na Harvard Medical School.

 

Mesmo com a agenda lotada, o médico reservou um tempo para atender nossa equipe e respondeu com exclusividade algumas perguntas.    

 

Na sua opinião, a medicina integrativa vem conquistando holofotes?

Vem conquistando seu espaço sim principalmente porque alguns pacientes vêm até mim com queixas de problemas recorrentes porque na medicina convencional (que eu também aplico às vezes, ok?) é tratado apenas os sintomas, muitas vezes um cardiologista por exemplo não mergulha tão a fundo na rotina e vida do paciente para estudar seus hábitos nem vai promover grandes mudanças no cotidiano daquela pessoa. O olhar integrativo faz total diferença na qualidade de vida e produtividade do indivíduo porque acabamos provocando também um questionamento interno, uma questão mais profunda do que só apenas medicar o paciente, entende?

 

Quais as principais queixas em consultório atualmente?

Para resumir, os pacientes normalmente reclamam de cansaço, indisposição, dificuldade para emagrecimento, intestino irregular, falta de concentração, sono não restaurador ou insônia e falta de libido. Todas essas queixas estão intimamente interligadas, ou seja, é possível ao seguir um protocolo para melhora de uma, interferir positivamente em outra e assim por diante. Os marcadores nos mostram através de dados uma medicina de alta precisão, eu explico para ele a causa do que ele está sentindo em números e iniciamos uma série de ações para melhorar o quadro, não só com aplicação da soroterapia como já falei, como também a análise da dieta, com acompanhamento de especialistas de maneira constante. A melhora é apresentada rapidamente e assim o paciente consegue ter a percepção de que ele pode melhorar sim, inclusive, diminuindo consideravelmente a ingestão de medicamentos.

É fato que a doença física leva à falta de saúde mental?

Sim, diversas pesquisas confirmam isso há anos. Não existe pessoa feliz com o corpo debilitado, isso é irreal e mais do que nunca comprovamos após a pandemia por exemplo, que a saúde mental está interligada diretamente à física e vice e versa. É preciso ter equilíbrio em tudo que é feito, nada que é demais é benéfico, daí a importância da medicina integrativa, do olhar o paciente como um todo, do entender as queixas, de negociar e chegar a um denominador comum em que médico e paciente consigam se entender e melhorar porque é pra isso que exercemos e dedicamos nossas vidas.

 

A cobrança que vivenciamos hoje é tão nociva quanto a forma como nos alimentamos, por exemplo? 

As duas questões estão em cenários horrorosos. Vivenciamos uma nova era de alta performance, na qual, em âmbito mundial, vemos seres humanos vivendo no limite, eu diria até sobrevivendo e não vivendo. As cobranças são inúmeras ainda mais com a mudança do cenário mundial na economia: as empresas foram obrigadas a reduzir mão de obra e passaram a cobrar sempre mais e mais dos colaboradores e isso é muito grave. É uma situação muito delicada porque além do trabalho existe a cobrança das outras áreas, familiar, social, mental, espiritual. Tudo está muito pesado então eu sempre sugiro pequenos desvios como uma caminhada mesmo que por minutos por uma área verde qualquer para que o paciente tire alguns minutos para contemplar a vida e por aquele mínimo instante, esquecer um pouco do mundo à sua volta. Além disso, técnicas de respiração são poderosas e eficazes para evitar estresse e até picos de descontrole emocional. A forma como nos alimentamos é, claro, nfluenciada pelo contexto que vivemos e o segredo está em saber não se cobrar ao extremo, mas principalmente, cuidar de si e verdadeiramente entender que tudo tem limite, inclusive, sua produtividade, sua performance, para que isso não atrapalhe o legado que você quer deixar e todas as vivências e evolução que você busca. Se não, a vida não faz sentido. É preciso cuidar da sua primeira casa, sua primeira grande morada que é seu corpo e sua mente, para depois fazer o resto. Por isso meu propósito é elucidar as pessoas para que vivam mais e melhor. 

 

 

 

O que faz bem pra mente?

Entender as possibilidades que nós temos no nosso cotidiano para encontrar um certo nível de relaxamento, ou seja, um conformismo, um nível elevado de consciência no sentido de entender onde está nosso limite. Essa é a chave.

Qual seu sonho profissional e pessoal?

Profissional é conseguir atingir a maior quantidade de pessoas possível com essa forma de abordagem: trazer o máximo de consciência, entendimento e reconhecimento a respeito de cada corpo e de cada paciente. Além disso, quero conseguir fazer com que essa medicina integrativa chegue em todas as classes sociais porque hoje exames genéticos e certas formas de tratamento ainda são bem custosas, o que impossibilita a realização por um maior número de pessoas. Quanto ao sonho pessoal, eu almejo, trazer com as próprias práticas que tenho com meus pacientes, e fazer mais comigo para que eu chegue em um nível de consciência em que eu faça por mim, pela minha esposa, por minha família e ser uma pessoa melhor em todos os sentidos. Trazer o nível de consciência também mantém o equilíbrio no lado pessoal.

Assim como seu pai, você deseja que a Helena siga em saúde?

Hoje entendo um pouco do meu pai porque sinto esse desejo sim, que minha filha siga meus passos, mas, independente do que ela acabar fazendo, eu vou ficar muito feliz se ela conseguir impactar as pessoas de forma positiva assim como hoje eu faço.