Resiliência é um processo e não uma característica humana

Especialista explica porque ser resiliente está na moda e fala sobre saúde mental na prática

Por Renata Rode

É fato: todos os dias ouvimos de pessoas, discursos, livros e palestras que é preciso ter resiliência. O termo nunca esteve tão no top trend e acredite, muita gente não entende necessariamente o que isso significa. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade da Carolina do Norte, resiliência é um processo e não uma característica inerente ao ser humano. De acordo com os cientistas, a exaustão emocional aumentou com o tempo do experimento, sendo que o comprometimento, diminuiu. Ainda, o estudo revelou que os recém-chegados eram mais resilientes ao cenário, ou seja, se adaptavam melhor a novas situações. Na busca pelo melhor entendimento buscamos com uma especialista respostas a perguntas que você deve estar se fazendo, agora. Claudia Riecken é neurocientista e clínica licenciada, fundadora do Grupo QuantumHouse e autora do Método Quantum, Doutoranda em medicina integrativa nos USA, mãe, mulher motociclista e musicista. Ufa! 

Explique de maneira prática o que é resiliência?

Pela física o fenômeno se dá quando um corpo se recupera – volta ao normal e até se fortalece após sofrer pressão, calor, atrito e volta ao seu estado inteiro. Quer dizer dar a volta por cima, recuperar-se de revezes, não perder a esperança de adotar um repertório inteligente de ações e emoções, valendo ser otimista e pessimista, suave e duro, alegre e bravo? Sim. Ser coerente é ter determinação desejando estar bem: o que requer recursos variados. 

Como praticar a resiliência pode me ajudar como ser humano?

Tendemos a repetir padrões de vitória ou defesas contra nossos medos básicos. A Resiliência nos dá asas, saímos do piloto automático sem perder nossa identidade. Na verdade, a encontramos. Na Resiliência somos

menos reativos, mais fortes e nos tornamos mais alegres e confiantes. Acertamos mais com o repertório criativo que ela nos oferece naturalmente. Deixamos de ser prisioneiros de nossos passados. 

A resiliência pode fazer com que eu prospere na minha carreira, por exemplo?

Os melhores resilientes são os que mais prosperam na carreira. As estatísticas e os cases mostram que em tempos de crise e de “down sizing” (demissões) ao invés de se lamentar ou se desesperar, os resilientes propõem soluções – ajudam na crise e acabam sendo os promovidos, terceirizados ou vistos como fundamentais. Ao fazer o que é útil e ter com a resiliência mais equilíbrio emocional, não fazem drama nem se escondem, e a boa carreira gosta de gente assertiva, não agressiva. Eles conseguem enxergar suas vitórias futuras – e confiantes, as alcançam. Se tornam sinergistas, todos os buscam para o trabalho fluir. 

Até que ponto a resiliência é benéfica e quando pontualmente ela pode ser prejudicial?

A resiliência corretamente compreendida nos marcos teóricos da ciência é sempre benéfica. O uso distorcido da ideia de ser positivo é que é maléfico. Alguém otimista demais não evolui pela lei do paradoxo (opostos balanceados) como dia e noite, calma e pressa, trabalho e descanso, sistema nervoso simpático e parassimpático. A otimista extrema se casa com alguém muito pessimista. A natureza vai buscar o equilíbrio paradoxal. Ter resiliência é justamente não polarizar no exagero, é ser simpático sem ser trouxa, ser objetivo sem ser grosso. Trata-se de uma sabedoria além dos livros. Os melhores resilientes tem a estranha certeza que vão se salvar, vão se levantar, podem se refazer e crescer, sempre.

Dê 5 dicas de como praticar a resiliência ajuda a minha saúde mental.

– Use os pares de características. Trabalhe e descanse, harmonize e brigue, fale e cale, união e solidão. Leve tudo isso com boa disposição. Agradeça o dia bom e agradeça o dia ruim, mas comece todos os dias com coragem de rei e rainha de seu estado interior;

– Cale a voz interna do acusador. O diálogo interno condenatório mina a criatividade. Queira melhorar, mas mande às favas essas vozes que em nada ajudam; 

– Aprenda a dizer não sem culpa e sem medo. Seja gentil, não precisa se justificar tanto. Diga não (simplesmente) e pode ser sorrindo;

– Seja amigo com você. Se de um carinho, água, sono, sol, uma cantoria, trabalho ou projeto. Seja seu amigo! 

– Sinta seus sentimentos: o que você resiste, persiste. Está triste? Chore, fique quieto dois dias (para não virar depressão ou tristeza reprimida). Tá feliz, expresse, expanda, cante. Não se force a sentir o que os outros querem ou mandam. Sinta e honre seus sentimentos. Ficamos mais centrados e menos reativos quando praticamos isso!