QUERIDO PAPA NOEL

Eu gostaria de pedir mais paciência, mas me disseram que ela só vem a partir das experiências que me testam diariamente. Gostaria de pedir para ganhar mais dinheiro, mas aprendi que não ganho dinheiro e, sim, faço dinheiro. Gostaria de pedir que as pessoas pudessem me amar mais, mas aprendi que, para ser amado, primeiro preciso aprender a me amar. Gostaria de pedir uma vida repleta de paz, mas compreendi que a vida sempre será recheada de estresse e de obstáculos e que depende de como enxergo e enfrento cada momento dessa jornada. Por fim, gostaria de pedir mais inteligência emocional, mas também já me disseram que não existe emoção inteligente, mas, sim, uma gestão emocional e que, sem cuidar do corpo, não conseguirei alcançar a tal qualidade de vida.

Ah, Papai Noel, como é difícil ser adulto! Como é complicado esse negócio de assumir o protagonismo da vida e se autorresponsabilizar por todos os meus atos. Era tão mais fácil quando eu não tinha conhecimento, quando eu culpava os outros pelos meus desafios e esperava alguém para resolvê-los para mim. É tão mais simples a vida quando eu paro em qualquer botequinho e saboreio minhas frituras, tomo minhas bebidinhas e não me preocupo com a alimentação. Ah, como eu queria viver no “modo Zeca Pagodinho”, deixando a vida me levar sem pensar antes de uma atitude, sem pensar antes de falar ou mesmo precisar constantemente questionar os meus próprios pensamentos. 

Eu sei, Papai Noel, que você deve estar lendo essa cartinha e pensando que estou maluco, mas talvez eu só esteja me preparando para sair daquela fase da vida conhecida como “fundo do poço”. Por mais prazeroso que pareça não assumir as responsabilidades, eu sei que sem elas eu continuarei com essa instabilidade emocional, que, sem vigiar meus hábitos diários e até alimentares, eu permanecerei com essa tristeza e falta de vontade. Eu também sei que se eu continuar sendo vítima do que me fizeram no passado, eu jamais serei dono do meu próprio destino e que viverei deprimido, como se algo faltasse em minha vida. 

Portanto, estou disposto a enfrentar um dia de cada vez e me esforçarei para manter uma rotina mais saudável, e não apenas viverei para trabalhar, nem vou esperar uma vida apenas de prazeres contínuos. Assim, Papai Noel, eu só quero pedir um único presente esse ano: novas experiências que testem a minha coragem, porque eu sei que serão elas que me permitirão vencer todas as batalhas que estou travando atualmente, afinal, coragem não é a ausência do medo, mas sim a superação dele. 

A partir de hoje eu me comprometo a ser um adulto bonzinho, mas sabendo diferenciar a bondade da ignorância, a bondade da omissão, a bondade do ser trouxa de muita gente. Não comprarei mais estresse de ninguém e farei de tudo para me tornar o verdadeiro agente transformador da minha vida.