A três é melhor Cristiana Oliveira, Eduardo Martini e Suzy Rêgo comemoram sucesso da peça ‘Cá Entre Nós’ em São Paulo

Amigos fora do palco se reúnem para encenar comédia que fala sobre pressão social, cura e amor

Por Renata Rode 

Fotos: Dre Marketeira / Erika Almeida / Andressa Costa / Claudia Martini

Legenda: Suzy Rêgo, Eduardo Martini e Cristiana Oliveira

Os amigos Suzy Rêgo (esq.), Eduardo Martini (centro) e Cristiana Oliveira (dir.) trabalham juntos pela primeira vez

Um trio de estrelas, uma história sobre amizade, algumas pitadas de humor com direito a emoção. Esse é o resumo do espetáculo “Cá entre Nós” que volta em cartaz no Teatro União Cultural, em São Paulo, após uma temporada de sucesso de três meses. Sim, pra eles tudo tem a ver com o número três, afinal, Cristiana Oliveira, Eduardo Martini e Suzy Rêgo são amigos há mais de três décadas e transbordam sinceridade no palco e fora dele. 

A peça dirigida e também encenada por Eduardo Martini e a dupla de beldades, fala sobre a importância da amizade e como isso pode nos ajudar principalmente nos dias de hoje. Na história, o trio de amigos recebe a notícia de que Lola, a quarta amiga, deixa este plano. Inconformados, eles marcam um encontro na casa dela e caem em uma armadilha deixada propositalmente pela finada. Uma comédia que faz rir no tom certo, emociona, faz refletir e é aplaudida de pé por um público que abraçou a história de amor, revelações, sinceridade e verdades que norteiam a vida de todos. 

Após uma pausa para que Eduardo Martini tirasse suas merecidas férias (isso estava agendado há mais de um ano e sabiamente o ator decidiu não postergar visando a saúde mental em primeiro lugar), eles retornaram aos palcos dia 17 de maio, para uma nova temporada, repleta de ainda mais reconhecimento. 

Quem te viu, quem te vê Eduardo Martini: priorizando sua saúde mental, parabéns! (brincadeirinha que tem um fundo de verdade)

Eduardo: Olha é isso mesmo. Eu sempre costumo viajar no final de ano porque aí não parece férias já que o teatro fica lá, sozinho. Assim, não rola aquela culpa e de certa forma a gente consegue desconectar um pouco, mas dessa vez foi diferente. E o corpo pede um descanso, uma pausa de vez em quando. Mas posso ser sincero? Tenho tanto amor e paixão e respeito pela arte que está intrínseco nas minhas veias e sem ela não respiro. Por outro lado, essa viagem pelo mundo está me fazendo um bem danado. Está sendo muito bom ver culturas diferentes, passear e não ter horário pra nada. Fora isso, eu tenho uma equipe muito competente que mantém o teatro como se eu estivesse lá.

Chama atenção essa frase que você disse: “sem a arte eu não respiro…”

Eduardo: Pode parecer clichê, mas o palco me cura… Eu já passei várias experiências bem doloridas fora dele e quando eu entrei em cena pra representar eu sempre saí do palco curado! É um lance que não consigo explicar. Nunca tive falta de disposição para trabalhar. Eu amo o que eu faço e sou sincero em dizer que até estou sentindo falta de trabalhar um pouquinho!

O corpo pede intervalo sim, mas eu sempre me cuidei muito utilizando ferramentas como a quiropraxia, acupuntura, alinhamento corporal e eu estou sentindo muita falta de dançar. Mas a viagem está sendo incrível porque eu tenho andado muito, são cerca de 12 km por dia. Isso cansa, mas relaxa e revitaliza.

A peça é uma comédia, mas tem profundidade. Como é isso?

Eduardo: É um texto belíssimo do Raphael Gama, que tem momentos ótimos de comédia, muitos respiros cômicos, mas também tem muitas emoções entre essas três personagens, que são amigos de longa data, num reencontro fabuloso, cheio de surpresas. A questão é que o teatro, entretenimento, cultura, arte, lazer, é necessário, e sempre que você vai assistir um espetáculo, é claro que existe uma reflexão, um convite a você se divertir muito, mas sair e pensar sobre o tema, conversar depois com os teus amigos, teus familiares, mas nenhuma lição de moral nem filosofia. Estamos aqui para promover o entretenimento, cultura, arte, lazer, e para te fazer pensar.

Suzy: “Cá Entre Nós” expõe a genialidade do texto de um multitalentos, que é o jovem Raphael Gama. Muito generoso, permite que co-criamos nuances dessas personagens sob a batuta experiente e assertiva de Martini na direção. É deliciosamente especial envolver o público nessa peça divertida e surpreendente. Uma ode à amizade.

É a primeira vez que vocês encenam juntos?

Eduardo: Sim, é nossa primeira vez os três juntos. Nos conhecemos há mais de 40 anos. Crica e Suzy, sim, eu e Crica sim. Já trabalhei com a Suzy, mas não tinha trabalhado com ela e a Crica juntas. E é a primeira vez que os três amigos de mais de 40 anos, profissionais incríveis, estão desfrutando de dividir o palco juntos. Posso dizer que é uma energia ímpar e uma troca que o público vai sentir, absorver e gostar. o texto do Rafael Gama pra mim é um primor… Nós conseguimos colocar no palco com muita delicadeza e verdade tudo o que as pessoas vivem em relação aos seus amigos. O espetáculo tem uma virada dramática sensacional que pega as pessoas desprevenidas.

Vocês são amigos há muitos anos, dentro e fora dos palcos!

Cristiana: É uma realização quando podemos trabalhar com pessoas que admiramos, que gostamos, e que profissionalmente estão na mesma sintonia. Um puxa o outro e a nossa energia em cena é contagiante, tanto para nós como para o público! Nós três aprendemos com esse texto delicioso, verdadeiro e sensível. Falar sobre amizade é falar sobre a vida. Sobre a difícil arte de se relacionar, como pessoas de personalidades diferentes convivem. Eu conheço Martini desde 1979, sempre fui sua admiradora e nossos encontros foram sempre de amor, de carinho mútuo. Suzy desde 88 quando a entrevistei (como jornalista do “O Globo”) e somos contemporâneas da época de modelos. Assim como Martini, nossos encontros também eram de admiração e carinho. Mas a minha amizade com eles estreitou agora em “Cá entre Nós”, um grande presente que a vida me deu.

Qual preferência: teatro, cinema ou televisão?

Cristiana: Para mim, os três são extremamente importantes. Eu acho que, normalmente, o público acaba sendo um pouco diferente. Mas teatro é um lugar em que você está inteiro. Você tem que mexer com o seu corpo. Você tem que projetar a sua voz. Você tem que falar para a velhinha surda da última fila. Então, você está muito mais inteiro. Televisão é uma coisa mais econômica. É uma coisa mais mecânica, que você pode se gesticular, mas não tanto. E o cinema é totalmente econômico. É uma coisa de expressão facial. E eu acho que esses três, quando você faz, você se exercita muito como ator. 

Suzy: Eu amo todos os veículos e a diferença entre eles é basicamente o tempo. O tempo do teatro é mais elástico e flexível, leituras de mesa, limpezas e adaptações de cenas, um trabalho mais aprofundado sobre o tema em questão, a peça do momento. Na TV o número de cenas por dia exige uma dinâmica mais aguçada, mais frenética. E mesmo assim, há preparação antes e durante. É um exercício fenomenal para o intérprete.  Memória, comprometimento, estudo. Esses cuidados vêm do teatro.

O teatro faz bem para a saúde mental?

Eduardo: Muito. Você vai ao teatro, você se diverte, você se enxerga no palco. E o teatro traz saúde, né? A comédia traz saúde, o teatro traz saúde. O teatro faz você pensar, refletir. É uma delícia. A gente está muito feliz com essa peça, porque é uma peça que fala de um tema mundial, que é a amizade. E outra coisa é o seguinte, nós somos abençoados de podermos estar juntos presencialmente. O teatro é isso, é feito por pessoas, né? Seres vivos que podem se aproximar novamente, que podem se abraçar, que podem confraternizar, aplaudir, receber o público, tirar fotos. Então isso, durante um tempo, nos foi vetado por razão da nossa saúde. Então, o teatro é curativo. A nossa saúde mental agradece ao teatro. Venham ao teatro, venham nos ver. Venham confraternizar conosco arte, cultura, lazer, entretenimento e saúde mental.

Cris, você se incomoda por ser para o público a eterna “Juma” de Pantanal? Como é isso hoje em dia? 

Cristiana: Guardo a lembrança da personagem com muita gratidão e respeito. Entendo que foi muito marcante pra muita gente e é até hoje (por isso muitas pessoas ainda me chamam pela personagem), mas meu ofício continua por 35 anos e tenho uma grande história além dela. 

O que fazem para manter a saúde mental em dia? Como cuidam da mente e do corpo? 

Cristiana: Faço exercícios todos os dias, tenho uma alimentação equilibrada, e tenho aprendido muito (inclusive com a Suzy) a praticar a positividade, a alegria, o bem estar, a gratidão e além disso, sou muito conectada à natureza. 

Suzy: Prático gratidão diariamente. Tenho uma mente treinada para o otimismo e positividade. Busco a luz. Exercito a alegria e mesmo diante de alguma diversidade (que todos passamos), vibro pela solução, pela paz, pelo bom resultado. Me posiciono, mas me empenho em manter o respeito. E treino para dar importância apenas ao que tem importância. Fujo de drama. Medito um pouco, sorrio muito, agradeço sempre. 

Quais as novidades nas carreiras para os próximos meses, além da peça?

Eduardo: Fui convidado para dar vida a uma personagem feminina, uma senhora que tem um encontro com a morte no longa “A Valsa dos Ponteiros ou Algo que o Valha” do diretor e roteirista Bruno Sorc. Esse convite é muito especial porque é um personagem que tem um potencial imenso. Fazer um personagem feminino ou masculino pra mim não tem diferença porque o meu foco é o ser humano! Todos temos medos, ansiedades, inseguranças, carências, o que difere o homem da mulher, pra mim, é genitália. O sentimento é o mesmo. É de muita responsabilidade interpretar uma mulher que se sente sozinha, abandonada e com uma solidão muito grande. As plantas, os animais de estimação, a sua cozinha, o cafezinho da tarde traz pra mim uma riqueza dramatúrgica imensa. Dona Aparecida, que é o nome do personagem, representa todas essas mulheres, todos esses seres humanos que batalharam muito a vida inteira para criarem os filhos e praticamente não tiveram vida própria Começamos a filmar em julho e eu estou muito ansioso! Conheço várias pessoas que estão neste lugar e essa viagem contribuiu muito porque o europeu com o inverno caminha para uma introspecção em decorrência do frio externo o levando, em muitos dos casos, a uma solidão que dependendo da região materializa uma depressão. Sobre dar vida a uma personagem mulher, podemos dizer que Paulo Gustavo foi um sucesso. Praticamente um cometa que passou pela comédia deixando a marca dele registrada, mas eu sou apaixonado pelo trabalho do Marco Nanini e do Ney Latorraca em “O Mistério de Irma Vap!” Miguel Magno e Ricardo de Almeida mudaram a dramaturgia fazendo “Quem tem medo de Itália Fausta”. São meus ídolos!

Suzy: Estou em plena retomada de meus treinos físicos e numa faxina alimentar promissora. Quero muita força e mobilidade. Estou cheia de planos secretos! Assim que tiver novidades confirmadas (e lanço só ao Universo em breve), conto com toda alegria. Quero estar em tudo, novelas, streaming e agradeço ao teatro por ser minha escola constante.

Como atores renomados que já trabalham e trabalharam bastante e investem nas carreiras o que acham sinceramente sobre esses ganhadores de reality que são escalados para fazer novela do nada? Vale tudo pela audiência? 

Eduardo: Eu particularmente não gosto de reality show. Sinceramente nunca assisti ou melhor nunca acompanhei um. Sucesso e fama são duas coisas muito distintas e faz tempo que a televisão não faz um SUCESSO em relação às novelas! Eu não acredito que a pessoa que tenha milhões de seguidores fará sucesso em uma novela. E deixo aqui uma pergunta: as pessoas estão vendo tv aberta? Acho que falta dramaturgia sem a tal vigilância do “politicamente correto”.

Suzy: Só vale quem se mantém. A oportunidade pode ser dada para todo o tipo de iniciante, quem se estabelece é quem é do ramo. Comecei através da publicidade, fiz testes, estudei, me aperfeiçoei e tenho imensa gratidão a quem apostou em meu potencial. O percentual que se mantém na profissão nem chega a 1%. Ser desinibido está bem longe de ser artista, ator, atriz. 

Eduardo, e o sucesso das montagens sobre Clodovil continua?

Eduardo: Sim, “Clô, pra Sempre” é um baita sucesso! O texto também é do Raphael Gama e a direção também da Viviane Alfano e eu tenho prazer de ter o maestro Jonatan Harold tocando músicas ao vivo no espetáculo. Voltamos sábado dia 18 sempre às 18h00.

“CÁ ENTRE NÓS”

Texto: Raphael Gama

Direção: Eduardo Martini

Elenco: Suzy Rêgo, Cristiana Oliveira e Eduardo Martini

Trilha sonora: Jonatan Harold

Luz: Cesar Pivetti

Ambientação cênica e figurino: Eduardo Martini

Gênero: Comédia

Duração: 60 minutos

Recomendação: 12 anos

Temporada: sextas e sábados, às 21h

Ingressos: R$ 100 inteira | R$ 50 meia

Bilheteria: abre 1h30 antes do espetáculo

Ingressos online: https://bileto.sympla.com.br

Teatro União Cultural – 269 lugares

Rua Mario Amaral, 209 – Paraíso

Estação Metrô Brigadeiro

Tel: (11) 3885-2242

“CLÔ, PRA SEMPRE”

Vencedor do o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator de 2022 pelo monólogo “Simplesmente Clô”, Eduardo Martini, retorna ao personagem em “Clô, pra sempre”, monólogo sobre a vida e a obra do estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes (1937-2009). O texto é de Raphael Gama e a direção de Viviane Alfano. “O Clodovil era tão amado quanto odiado pelas pessoas, não tinha meio termo. E nós não fugimos de nada disso. A ideia é mostrar essa persona tão rica e contraditória sem jamais defender ou julgar. Ele não gostaria disso”, declara Martini, que conviveu com o estilista e há anos tinha o desejo de homenageá-lo no teatro.

Duração: 60 minutos

Censura: 10 anos

Temporada: sábados, às 18h, por tempo indeterminado

Ingressos: R$ 80 inteira e R$ 40 meia 

Bilheteria: abre uma e meia antes de cada espetáculo

Bilheteria on line: https://bileto.sympla.com.br/event/81670

Teatro União Cultural – 269 lugares

Rua Mario Amaral, 209 – Paraíso

Tel: 38852242

Estação Metrô Brigadeiro

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