A indesejada visita de Murphy

Alguma vez você já se sentiu como se estivesse vivendo uma verdadeira “Lei de Murphy”? Aquele momento que tudo parece dar errado e que até o andar se tornar um risco de queda? Talvez, você já tenha se percebido nessa situação ou mesmo pode estar passando neste exato momento. Porém, o que realmente podemos fazer diante desses episódios de “mau agouro”?

Antes de pensar em estratégias de superação é válido compreender o que está acontecendo não apenas na mente humana, mas também no organismo diante dessas dores que parecem infinitas. Saiba que nesses momentos você está propenso a tomar as piores decisões da sua vida – parece loucura, mas é isso mesmo. Em situações de estresse, o organismo se prepara para uma “verdadeira batalha” e para isso libera altas cargas de cortisol, adrenalina e norepinefrina. A partir desse momento, existem três comportamentos possíveis: lutar (agressividade), fugir (procrastinação) ou congelar (paralisação). E é nesse contexto que o estresse psicológico rouba a cena e você se vê preso a pensamentos repetitivos, culpa desesperadora, medo intenso ou mesmo não consegue encontrar forças para projetar um novo caminho de superação (sem contar o grau de neuroinflamação do período). 

Agora, após entender um pouco do funcionamento do corpo (e da mente) vem a pergunta: se o momento é propício para as piores decisões, você ficará refém dessas dores e sofrimentos? A resposta para essa pergunta é sim e não. Sim porque não existe uma vida sem desafios, dores e até uma dose de sofrimento. E não porque o fluxo natural da vida é o movimento de gangorra, ou seja, o sofrimento é necessário para que uma próxima fase de bonança possa ser percebida, vivida e desejada. É como se o estresse fosse um combustível necessário para a busca de coisas e experiências melhores e o próprio crescimento, afinal, a criatividade também provém do estresse e você nunca ouviu falar que “após a tempestade vem o arco-íris”?

Mas, um ponto de vigilância é importante: para deixar esse movimento (sofrimento-prazer) acontecer, você precisa evitar uma resposta imediata diante de todas as dores e sofrimentos. Nesse contexto, se faz necessário um gerenciamento do estresse, um belo processo de autorreflexão e principalmente, a utilização de técnicas e ferramentas (inclusive, bioquímicas) para redução desse cortisol e dessa explosão química que impede uma tomada de decisão mais consciente e “real”. E qual seria a estratégia ideal? O primeiro passo é aplicar o segredo dos sábios: o silêncio. Depois é buscar experiências que possam relaxar o corpo e, a mente, além da busca de uma possível explicação dos motivos das dificuldades – nesse ponto, podemos compreender que sem uma explicação que aquece o coração (seja ela científica, filosófica ou religiosa) dificilmente será possível silenciar a mente para uma melhor compreensão da realidade e dos caminhos possíveis para a resolução da dor. 

Dessa forma, se você está passando ou quando for passar (é inevitável) por algum momento complicado em sua vida e que até fará você acreditar que Murphy estava lhe visitando, procure mesmo diante da dúvida e do desconforto tirar alguns minutos para respirar, acalmar a mente, relaxar o corpo e procure alguém para lhe orientar e também para desabafar, pois dizem que “dor compartilhada é dor diminuída” …