Sonia Abrão declara: “Liberdade de opinião exige responsabilidade”

Em entrevista exclusiva, a apresentadora fala sobre carreira, vida pessoal e como lida com as críticas

Por: Renata Rode | Colaboração: Priscilla Silvestre | Fotos: Divulgação | Chico Audi

Uma comunicadora que fala o que pensa, doa a quem doer. Sonia Abrão tem essa postura há mais de 20 anos e não abre mão de seu jeito transparente, único e irreverente. Talvez por isso ela conquiste tantos fãs e haters ao mesmo tempo. A jornalista, radialista e apresentadora, que se dedicou na maior parte do tempo como
colunista e crítica de TV e rádio, é conhecida também pelo seu lado rebelde, que evidencia uma mulher de fibra, que briga pelo que acredita.

Em sua vida, o jornalismo surgiu com o trabalho no antigo jornal Notícias Populares. Encarou esse tipo de publicação sempre como um desafio. Também passou por revistas de grande circulação nacional, como Contigo!, Amiga, entre outras, não só atuando como colunista, mas também como redatora, repórter e chefe de reportagem.

Sonia ficou conhecida em suas reportagens na TV para o programa de Gugu Liberato, no SBT, para o qual fazia reportagens de helicóptero. Também participou do programa “Aqui Agora” e como jurada especial dos programas do amigo e patrão Silvio Santos.

A apresentadora foi uma das primeiras mulheres a comandar programas de rádio em horário nobre, que sempre foi reduto masculino com grandes nomes, como Eli Corrêa e Paulo Lopes, posição antes alcançada apenas por Hebe Camargo e Cidinha Campos, e sofreu muitos preconceitos nesse meio antes majoritariamente masculino.

Quanto a críticas sobre seu trabalho, ela é enfática: “Opinião é sempre uma coisa relativa e os critérios são subjetivos. O meu valor como profissional e a consciência do meu trabalho dependem de mim. Eu tenho que saber o que eu acho de mim. Não são os outros que vão dar essa medida. Ninguém é tão importante assim na minha vida a ponto de mudar o rumo do meu trabalho”.

A veia de comunicadora não ficou somente nas telas e páginas de revista: ela ama escrever, tanto que já lançou cinco livros, o primeiro junto com sua irmã Margareth, o “Santas Receitas”. Posteriormente, publicou o “Abaixo a Mulher Capacho”, no final de 2012; “Homens que Somem”; e, em 2015, “As Pedras do Meu
Caminho”, com Rafael Ilha. Ela acabou de lançar o livro de poemas “Aos homens que amei”, um compilado de histórias ouvidas em seu programa na Rádio
Capital e sentimentos pessoais.

Em entrevista exclusiva, a apresentadora fala sobre sua carreira, vida pessoal e muito mais. Confira! Você está há 17 anos à frente do “A tarde é Sua”. Qual é o segredo do sucesso?
Não existe segredo nem receita, não tem fórmula mágica! Alguma coisa a gente faz de muito certo para estar há tanto tempo no ar, ainda mais sendo um programa diário, o que desgasta formato e imagem com maior rapidez! Mas nem eu nem nossa equipe temos a menor ideia do que seja exatamente. Talvez seja a capacidade de se renovar sempre, estar antenado com as voltas que o mundo dá e não se acomodar! Mudar sempre, mas mantendo a essência que, no caso do “A Tarde é Sua”, é a comunicação simples e direta com o público, um programa bem popular, sem medo de ser feliz e muito menos cancelado!

Como você lida com as críticas?
Se meu trabalho é o de crítica de televisão, não faz sentido me incomodar ao ser criticada. Toda moeda tem dois lados! Cobrimos o mundo das celebridades, falamos de centenas de famosos, bem ou mal, então é normal que também falem da gente, detonando ou não!

Já quanto à fama, como você a encara?
Sou muito mimada pelo público; a abordagem é sempre amistosa! A mídia implica comigo, mas as pessoas na rua só me dão carinho! E adoro tirar selfies com
todos!

E a questão de autoconfiança, como é?
Tenho transtorno de ansiedade e já sofri com síndrome do pânico, mas a terapia me salva, por isso, entre idas e vindas, já faz parte da minha vida há 20 anos,
sempre com o Dr. Flávio Gaiarsa. Autoconhecimento é tudo!

Como você busca esse autoconhecimento?
Cultivo bons pensamentos, olho para o lado claro da vida, não deixo o abismo me engolir! E boto muita fé em tudo, me coloco nas mãos de Deus! Não tenho rotina; como geminiana raiz, minha vida é um caos e gosto que seja assim!

A que você atribui a sua credibilidade?
Acho que tem muito a ver com falar francamente diante das câmeras, sem meias palavras, e saber que liberdade de opinião exige responsabilidade! A construção
da credibilidade é diária; o respeito vem da transparência, da coragem de assumir erros e batalhar sempre pelos acertos! O público sabe quem é de verdade e
quem é de mentira!

Você está há muito tempo na TV, mas tem uma longa carreira, inclusive em rádio. Conte-nos um pouco sobre essa trajetória.
Amo rádio, mas foi o veículo mais machista em que já trabalhei. Foi muito duro, uma guerra para abrir meu espaço! Um grande comunicador teve a cara de pau
de me dizer que eu devia desistir, porque as mulheres só gostavam de ouvir voz de homens ao microfone! Não desisti e o resultado foi comandar programa de 5
horas de duração todas as manhãs, horário nobre do rádio, ganhar 5 vezes o Prêmio Microfone de Ouro como melhor comunicadora e o Prêmio APCA, da
Academia Paulista dos Críticos de Arte, na mesma categoria! Bateu, levou!

Você tem alguma superstição ou ritual diário?
Toda manhã, quando chego à TV, antes de ir para o camarim, passo pelo estúdio ainda vazio e agradeço a Deus por mais um dia de trabalho. Agradeço também
a todos os anjos, santos e aos espíritos de luz que sei que estão por ali! É meu ritual secreto! Era, né? Porque agora já contei…

Quando tem tempo livre, quais são seus programas de lazer preferidos?
Assisto a quase tudo, de novelas aos programas de auditório, de policiais até esportivos, porque esse é meu material de trabalho, é sobre isso que eu falo! Mas,
para meu gosto pessoal, fico com os telejornais e programas de debates, como Estúdio 1, Saia Justa, Papo de Segunda e talk-shows como Lady Night e Que História é Essa, Porchat?, além de maratonar séries, como Sucession. E fora da TV, de preferência eu busco viajar, dar umas escapadas… Quando não posso, adoro virar São Paulo de ponta-cabeça, explorar todas as atrações, minha cidade é minha paixão!

Você acredita no poder da TV, mesmo em plena Era Cibernética?
Sim, acho que streaming e internet cresceram muito. Ambos são novas opções, abriram novas faixas de público, mas a TV aberta ainda é rainha!

Você sempre diz que não acredita na instituição “casamento”. Por quê?
Porque eu acho que a instituição desgasta o amor, traz mais obrigações que prazer. Casamento é uma experiência válida, mas já preenchi minha cota! Agora quero só a parte romântica da história!

Seu filho se casou recentemente. Você está preparada para ter um netinho ou netinha?
Não, ainda não tenho idade para isso! (risos). Mas nem que eu quisesse, iria adiantar, porque os planos do Jorge e da Bella só incluem um bebê para daqui a cinco anos!

 

 

Você é sempre muito discreta na sua vida pessoal. Pode dizer se está namorando?
Sou discreta, mas não é nada intencional, é meu jeito de ser no mundo mesmo! E isso me traz uma contradição: falo da vida dos outros, mas não quero que falem
da minha! (risos).

Pretende escrever outros livros? Se sim, qual tema?
Talvez, só mais um livro! Mas o tema ainda é segredo!

Você é vaidosa? Tem algum segredinho de beleza?
Nunca fui vaidosa, detesto ter que fazer cabelo e maquiagem todo dia para apresentar o programa! Gosto de cara lavada e tomo muita água!

E a vida pessoal, dá para separar da profissional?
Dá sim, eu aprendi a separar as coisas direitinho! O tempo me ensinou!