Luto nas empresas: humanizar o tema pode ajudar colaboradores

O luto é um processo que pode gerar muito sofrimento para quem o está enfrentando. E muitas vezes os funcionários não sabem como externar esses sentimentos e quanto tempo podem ter de licença, ou que tipo de acolhimento terão no local de trabalho. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) atual prevê que têm direito a se ausentar por dois dias de trabalho somente quem perde parentes próximos como cônjuge, avós, bisavós, pais, filhos, netos, bisnetos, irmãos ou pessoas que estejam declaradas em sua carteira de trabalho e previdência social e vivam sob sua dependência econômica, por 2 dias consecutivos. Passado um período de pandemia, quando muitas perdas aconteceram e a própria dinâmica do trabalho teve muitas mudanças, entendeu-se que há outras situações que podem ser encaradas da mesma forma.

Camila Lourençato, advogada e sócia-diretora da Irmanas, uma assessoria human centric, que trabalha as relações interpessoais dentro das empresas para criar ambientes corporativos mais saudáveis, seguros e produtivos, sempre em prol da Diversidade & Inclusão e do Bem-estar Corporativo, ressalta que “o luto é uma experiência humana universal que pode afetar profundamente a vida pessoal e profissional de uma pessoa. Ao reconhecer e abordar o luto, as empresas demonstram empatia e compaixão pelo seu funcionário, o que pode aumentar a lealdade e a satisfação no trabalho”.

Há diversos tipos de lutos não reconhecidos, que são processos de rompimento de um forte vínculo na vida de um ser humano. Recentemente dois desses casos trouxeram à tona situações como o divórcio e a perda de pets, processos que ainda não estão previstos na CLT, mas que afetam diretamente as pessoas. Todo processo de luto, indiferente de qual seja, pode afetar diretamente o rendimento da pessoa. “Quando falamos da morte de alguém próximo, estamos nos referindo a uma das piores crises que uma pessoa pode passar na vida e que não pode ser ignorada.

A maioria das pessoas experimenta reações como perda de energia, concentração e rendimento no trabalho”, diz Camila. “E conversar sobre o luto pode ajudar a criar um ambiente de trabalho mais saudável e solidário, o que ajuda a reduzir o estresse e melhorar o bem-estar geral dos funcionários, levando, inclusive, a uma maior produtividade e sucesso para a empresa como um todo”, completa a executiva.